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Quando nem tudo está no nosso controlo (por muito que tentemos)!

  • 10 de ago.
  • 2 min de leitura

Passamos grande parte do tempo a querer controlar tudo à nossa volta… fazemos listas, definimos objetivos, planeamos timings e horários, cenários, escolhas e até a maneira como gostaríamos que determinados momentos acontecessem. Tudo pensado ao pormenor pois acreditamos que assim estaremos mais protegidos do incerto, preparados e menos ansiosos.


Mas a verdade é que raramente a nossa vida segue um guião construído por nós.


Sem qualquer tipo de aviso, os planos mudam. Os timings e horários não são exequíveis, os momentos não acontecem exatamente como imaginávamos, as escolhas deixam de fazer sentido para nós, alguns caminhos fecham-se para se abrir outros, algumas pessoas não permanecem na nossa vida e algumas decisões que considerávamos as mais acertadas, por vezes chegamos à conclusão que não estavam assim tão alinhadas com aquilo que somos e queremos ser. E esta é a descoberta mais desafiante, mas também mais enriquecedora no nosso processo de crescimento pessoal: perceber que aquilo que tanto desejávamos já não nos identifica ou que aquilo que nunca tínhamos imaginado acaba por fazer muito mais sentido.


Quando os nossos planos nos fogem por entre os dedos, é normal sentirmo-nos frustrados, perdidos, desanimados e até questionar as nossas escolhas e quem nós somos. Neste momento, surge também quase sempre a culpa: “se eu tivesse feito de forma diferente” “se eu estivesse quieto” “sou sempre o mesmo, meto-me em cada coisa” “já devias estar à espera que isto acontecesse”.


E agora pergunto: tentamos controlar tudo para evitar a frustração, a ansiedade e afinal, será que está nas nossas mãos evitar tudo isso?


A verdade é que nem tudo está nas nossas mãos, não conseguimos prever o futuro e os resultados das experiências que nos envolvemos, das escolhas e decisões que tomamos.


Aceitar que nem tudo está no nosso controlo não significa desistir dos nossos objetivos, nem deixar de querer o melhor para nós. Significa compreender que na nossa vida somos obrigados a adaptarmo-nos. É ser flexível e permitir que os planos se alterem sem que isso signifique fracasso ou falha.


Os desvios não são, necessariamente, erros de percurso. Muitas vezes, são precisamente o percurso. É no tentar e afinal descobrir que não é para nós que surgem as respostas, é isso que nos faz crescer e que promove o nosso autoconhecimento. Ao abrirmos portas para a flexibilidade e para a imprevisibilidade, descobrimos possibilidades que nunca teríamos encontrado se tudo fosse como planeado.


A culpa estagna-nos e potencia a ilusão que deveríamos ter controlado o incontrolável. A aceitação e o foco da nossa atenção e energia naquilo que realmente depende de nós, devolve-nos a serenidade e a capacidade para continuarmos o nosso caminho.


E talvez a verdadeira tranquilidade não esteja em conseguir controlar tudo, mas em confiar que, mesmo quando os planos mudam, continuamos a ser capazes de encontrar um novo caminho.

Porque crescer também é aprender que nem tudo precisa de acontecer como planeámos para, ainda assim, fazer sentido.


10.08.2026

Joana Fernandes | Psicólog Clínica


 
 
 

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